A Volkswagen e a Ditadura, de Marcelo Almeida de Carvalho Silva

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Quais as relações entre as grandes corporações e a ditadura militar brasileira De que forma elas atuaram durante o período Como os trabalhadores dessas empresas eram tratados em meio ao processo repressivo conduzido pelo aparato estatal Essas são algumas das questões exploradas por Marcelo Almeida de Carvalho Silva em sua pesquisa sobre a Volkswagen do Brasil. Fundada em 1959, a planta industrial da empresa alemã em São Bernardo do Campo transformou-se nos anos vindouros na maior fábrica do país, empregando dezenas de milhares de trabalhadores. Durante o período do chamado milagre econômico (1969-1973), a Volks se tornou um símbolo do nacional-desenvolvimentismo durante o regime autoritário. Seu principal produto, o fusca, tão desejado pelas classes populares nos quatro cantos do país, era ao mesmo tempo um objeto de desejo e símbolo da exploração da mão de obra nacional. Quando as famosas greves metalúrgicas do ABC paulista estouraram no final dos anos 1970, um cotidiano de exploração e autoritarismo veio à tona, mas suas sinistras relações com a ditadura militar nunca foram devidamente reveladas. No entanto, desde 2015, quando o Ministério Público de São Paulo recebeu a denúncia de envolvimento da Volks com crimes de violação aos Direitos Humanos contra os seus trabalhadores, a relação entre a Volks do Brasil e a ditadura militar se tornou, tanto jurídica quanto academicamente, um caso emblemático para analisar as relações entre grupos empresariais e regimes autoritários no Brasil e na América Latina durante a Guerra Fria. Em seu livro, Marcelo tece os fios desta história perseguindo pistas que nos leva a compreender como se deram essas relações. Para isso, ele utiliza um amplo leque de fontes documentais, aliando a produção sobre estudos empresariais, os mundos do trabalho e a historiografia sobre a ditadura brasileira, para desvelar um universo de práticas corporativas violentas. No entanto, Marcelo vai além. Ele chama a atenção para o modo como essas empresas estrategicamente criaram uma narrativa de silêncio sobre o tema que predominou ao longo das últimas quatro décadas. Não à toa o assunto permaneceu intocado na área de Administração de Empresas - fator que torna a obra ainda mais relevante, posto que se trata de um estudo proveniente deste campo. É, portanto, leitura obrigatória para aqueles interessados na temática sobre cumplicidade e responsabilidade empresarial nos crimes de violação aos Direitos Humanos nas ditaduras militares latino-americanas. Violências físicas, psicológicas, políticas, econômicas e simbólicas, cometidas individual ou coletivamente, que, como o autor nos mostra, de tão sistematicamente empregadas foram tratadas como banais, corriqueiras, como se naturalmente fizessem parte do ambiente fabril. Marcelo, com verve de historiador, confere historicidade a essas práticas e nos mostra em seu estudo de caso como se deu o casamento perfeito entre capitalismo e autoritarismo civil-militar. Larissa R. Corrêa - Departamento de História, PUC-Rio
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