Motéis e o Poder, de Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo

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A presença de um general, que depois se tornaria presidente da República, na festa de inauguração de um famoso motel na Barra da Tijuca; o coronel, número dois do SNI, responsável por um mirabolante esquema de seguro oferecido a donos de motéis com o intuito de livrá-los do achaque da polícia e de fiscais; um padre pedófilo que reunia dezenas de fiéis à noite, com velas nas mãos, em frente aos motéis da Pampulha, em Belo Horizonte, para protestar contra aquela “chaga da sociedade”, constrangendo os casais que ali buscavam um lugar discreto para amar. Essas são algumas das histórias descobertas pelos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo e reveladas no livro “Os Motéis e o Poder - Da perseguição pelos agentes de segurança ao patrocínio pela ditadura militar”. A obra, a terceira assinada pela dupla, expõe as contradições do discurso em “defesa da moral e dos bons costumes da família brasileira”, usado pelos militares para angariar o apoio de parte da sociedade brasileira ao regime. Com base em entrevistas e extensa pesquisa, os autores revelam que durante os momentos mais repressivos da ditadura, nos governos Costa e Silva e Médici, recursos públicos foram usados para financiar um dos espaços mais simbólicos para a prática do sexo livre no Brasil: os motéis. Foi justamente entre os anos de 1968 e 1974, que esses estabelecimentos nasceram e floresceram. Se no espaço público, os generais proibiam de tudo - da nudez ao sexo, de letras de canções românticas a discurso de paraninfo em formatura, do palavrão aos cabelos longos -, nos motéis, tudo era permitido. Adultério, ménage a trois, orgias, homossexualidade, consumo de drogas ilícitas e de pornografia eram tolerados desde que não comprometessem a discrição necessária ao negócio.
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