Modo De Vida Imperial

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O conceito de modo de vida imperial tenciona compreender melhor a constelação global de poder e dominação que é reproduzida — por meio de inúmeras estratégias, práticas e consequências imprevistas — em todas as escalas espaciais e sociais: dos corpos, mentes e ações cotidianas que atravessam as regiões e as sociedades até as estruturas (invisíveis e invisibilizadas) que propiciam as interações globais, e também reproduzem relações altamente destrutivas entre a sociedade e a natureza, com enormes transferências de material biofísico. Isso ocorre não apenas entre regiões distintas de um mesmo país, mas em escala global — e se constitui por relações de dominação, as quais, ao mesmo tempo, reproduz. […] À medida que países emergentes como China, Índia e Brasil se desenvolvem como economias capitalistas, suas classes médias e altas adotam as práticas e representações da “boa vida” típicas do Norte Global, aumentando também sua demanda por recursos e a necessidade de se externalizarem custos, como as emissões de CO2. Consequentemente, eles se tornam concorrentes do Norte Global, não apenas no âmbito econômico, mas também no ecológico. O resultado são as tensões ecoimperiais que se cristalizam nas políticas climáticas e energéticas ao redor do mundo, por exemplo.

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Com “modo de vida imperial”, o livro lança um termo novo para o debate sobre os sistemas de desigualdade inerentes ao capitalismo. Esse termo tenta construir pontes entre o dia a dia de cada uma e cada um, entre os processos produtivos globais e o consumo global, aludindo também às políticas públicas implicadas. O livro descreve como os processos de concentração e privatização dos lucros, por um lado, e externalização de custos sociais e ecológicos, por outro, ocorrem de forma análoga em diversas épocas do capitalismo. A leitura então responde “para onde” são endereçadas essas externalizações, seja na própria sociedade, seja para além de suas fronteiras, ou até mesmo refletidas na “divisão internacional do trabalho”. Trata-se de investigar tanto as externalizações geradas por condições de trabalho precárias quanto aquelas implicadas na crescente interação da natureza com mecanismos de mercado.

— Annette von Schönfeld, na Apresentação

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O modo de vida imperial é um conceito provocativo para que o leitor reflita sobre como se produz e reproduz o nosso modo de vida, materializado no que comemos, o que vestimos, como nos transportamos. Para além de preocupações de “consumo consciente”, oferece a possibilidade de pensarmos sobre todos os hábitos cotidianos e sua repetição irrefletida, uma forma de ser e de estar no mundo transmitida como ideal universal, mas que foi construída e se mantém sobre padrões insustentáveis.

— Camila Moreno, no Prefácio
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