Com a corda no pescoço, de André Nigri

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Por que sorrimos se estamos tristes? Por que fazemos escolhas que sabemos não serem as melhores? Por que parecemos aquilo que não somos? O poeta alemão Heinrich Heine cunhou um termo chamado maskenfreiheit - intraduzível em português, mas que significa a liberdade conferida pela máscara. O narrador das quatro histórias desse livro é um eu disfarçado à escuta. Quem fala são as mulheres, enquanto as poucas intervenções masculinas não passam de ruminações de perplexidade diante do fascínio exercido por elas. Helena é casada com um homem obcecado pelo herói e mártir traído da liberdade nacional. Sua vida conjugal é entediante até ela começar a sair com o colega Antônio Vilela. Denise é professora de balé e carrega as dores de um passado quase glorioso onde se envolveu com o filho do mais conhecido líder comunista do país quando integrava o corpo de baile de um famoso balé russo. Mariana é uma jornalista às voltas com o assédio do chefe e dois casamentos fracassados, enquanto Maria deixa seu marido em casa para se jogar numa aventura imprevisível à beira-mar com um homem que ela mal conhece. Em comum todas elas estão presas em armadilhas emocionais e confusões amorosas, procurando lidar com as contradições de seus desejos. Com fino senso de humor e diálogos ágeis, André Nigri costura essas ficções cujos enredos são tão imprevisíveis quanto a falta de sentido da vida. Nada é inteiramente nomeado, como se o autor convidasse o leitor para ajudá-lo a decifrar os segredos por trás das intrincadas relações que propõem jogos amorosos onde as peças sobre o tabuleiro são volúveis e sorrateiras. À menor desatenção, uma delas pode escapar.
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