Dragões de Éter: Corações de Neve - Volume 2

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Anísio sempre fora treinado para o grande momento. Aprendera a falar como nobre, a montar cavalos, a se portar à mesa, a falar em público e manejar com perfeição uma lança, um escudo e uma espada, não necessariamente nessa ordem. Aprendera bem matemática, geografia e história militar. Axel também tivera lições, mas não seria Rei. Anísio sim; então, seu fardo, nesse caso, sempre fora maior. Ainda assim, e por mais tempo de treinamento árduo a que tivesse se dedicado com seriedade, quando se olhou naquele espelho e ajeitou pela quarta vez a base da capa vermelha que lhe pesava sobre os ombros, o Rei por direito não se sentiu preparado. De fato, qualquer súdito diria que ele estava. Fora treinado desde o nascimento; não haveria como não. Entretanto, Anísio esperava ainda que seu pai vivesse muito mais anos do que as folhas de um carvalho. Acreditava que o momento havia sido precipitado, mas, fosse qual fosse a hora em que aquele momento se desse, ele iria se sentir da mesma forma. Fraquejava por não suportar, como deveria, a perda, mas ninguém jamais suporta, realmente como deveria, a chegada da morte. Observara-se mais uma vez no espelho e desejou que ao menos a mãe estivesse presente. Não morriam fadas todos os dias, ainda mais escolhendo a morte em nome de outras vidas, como um dia foi a opção daquela Rainha. Entretanto, não é a história da nobre Rainha que iremos narrar, mas saiba que se hoje escrevemos Rainhas com erres maiúsculos é porque Terra Branford um dia andou sobre a terra dos homens, e por eles sacrificou muito mais que uma vida.
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