A Alma Perdida

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Era uma vez um homem que trabalhava muito e quase não prestava atenção no tempo que passava diante de seus olhos. Não que sua vida fosse ruim. Ele apenas sentia que tudo ao seu redor estava plano, como se estivesse se movendo na folha de um caderno de matemática inteiramente coberta por quadradinhos iguais e onipresentes. Com texto de Olga Tokarczuk e deslumbrantes ilustrações de Joanna Concejo, A ALMA PERDIDA é um livro que encanta, enternece e faz pensar. Uma história para todas as idades, que leva o leitor em busca de si mesmo, conduzindo-o a um desenlace maravilhoso e inesperado, como só os grandes contos de fadas são capazes de fazer.

As autoras
Olga Tokarczuk, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, é polonesa. É autora de SOBRE OS OSSOS DOS MORTOS (Todavia, 2019). Joanna Concejo nasceu em Supsk, na Polônia. É ceramista e ilustradora. Seus livros destinados ao público infantil foram publicados em diversos países.

Trecho do livro
Era uma vez um homem que trabalhava com muita pressa e sem descanso, e que já há muito tempo tinha deixado a própria alma em algum ponto distante. Sem a alma, a vida dele até que era boa — ele dormia, comia, trabalhava, dirigia um carro e até jogava tênis. Mas às vezes ele tinha a impressão de que tudo à sua volta tinha ficado plano e sem graça, como se ele se movimentasse numa folha em branco de um caderno de matemática — uma folha coberta por quadradinhos iguaizinhos e onipresentes. Uma noite, durante uma de suas muitas viagens, o homem acordou no meio da madrugada em um quarto de hotel e sentiu que mal podia respirar. Olhou pela janela, mas não sabia muito bem em que cidade se encontrava, porque todas as cidades parecem iguais das janelas dos hotéis. Não sabia também como tinha ido parar ali nem para que viera. E, infelizmente, esqueceu também seu próprio nome. Foi uma sensação muito estranha, porque ele não fazia ideia de como devia se chamar. Então, simplesmente ficou calado. Passou a manhã inteira sem dirigir nenhuma palavra a si mesmo, e foi naquele momento que se sentiu muito sozinho de verdade, como se já não houvesse ninguém dentro de seu corpo. Quando ficou diante do espelho do banheiro, viu-se como uma mancha imprecisa. Achou por um instante que se chamava André, mas logo depois teve a certeza de que era Mário. Enfim, assustado, encontrou seu passaporte no fundo da mala e viu que seu nome era João.

GÊNERO Ficção estrangeira
TRADUÇÃO Gabriel Borowski
CAPA Joanna Concejo
FORMATO 19,5 x 26,4 x 0,5 cm
PÁGINAS 48 PESO 0,184 kg
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