Arte não européia

R$ 56,00
. Comprar  
Arte não europeia lança nova luz sobre a história da arte a partir do Brasil, e oferece uma contribuição inédita ao público de língua portuguesa.

Ao trazer a primeira coletânea de textos dedicados a temas de história da arte não europeia para o público brasileiro, este livro apresenta um fascinante universo de pesquisas que buscam ir além das narrativas tradicionais da disciplina e tratam seus objetos de estudo como parte de uma complexa rede de interações espaçotemporais.

Visando contribuir para o desenvolvimento do campo de estudo de tradições não europeias no contexto da história da arte no Brasil, em 2015 a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estabeleceu uma parceria com o Instituto Getty, de Los Angeles, para criar uma nova linha de formação e pesquisa em nível de pós-graduação junto ao Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, contemplando as áreas de história da arte africana, pré-colombiana e japonesa.

Desde o final dos anos 1980, a noção de "arte global" vem redefinindo não apenas os modos como os museus colecionam e comunicam seus acervos e o recorte temático das grandes exposições internacionais, mas igualmente a abrangência geográfica no que se refere à origem dos artistas participantes. O fato de ser possível nos dias atuais ver em coleções como as do MoMA (The Museum of Modern Art) em Nova York obras de artistas provenientes da Ásia, Europa do Leste e das Américas Central e do Sul -- incluindo aí a brasileira Tarsila do Amaral -- é um índice importante a demonstrar o impacto da revisão que está em curso, e que, neste caso, reconfigura a narrativa canônica da arte ocidental sobre a qual se assentou a própria ideia da criação do museu nova-iorquino.

Os ensaios presentes na obra estão agrupados em três capítulos: o primeiro capítulo engloba a arte pré-colombiana e ameríndia, abre com um artigo de Amy Buono no qual são discutidas três categorias de objetos típicos do período colonial no Brasil, seguido do texto de Adam Sellen sobre a história das falsificações de objetos pré-colombianos no México. O artigo de Byron Hamann trata novamente de questões vinculadas ao contexto da arte pré-colombiana no México, porém centrando-se no momento inicial do encontro entre espanhóis e astecas. Daniel Grecco Pacheco traça a biografia de uma das esculturas mais célebres do mundo mesoamericano, ochacmool. Fernando Pesce apresenta brevemente as principais questões teórico-metodológicas que circunscrevem o campo da história da arte pré-colombiana hoje, e, por último, Virginia Borges oferece uma reflexão sobre os caminhos de legitimação de objetos gerados fora do circuito das artes.

Os três textos que compõem o Capítulo 2 são dedicados à arte japonesa. Em seu artigo sobre o artista Tawaraya Statsu, Yukio Lippit discute o gênero de pintura aquosa (tarashikomi), reconhecido no Ocidente como uma das marcas da pintura japonesa. O texto de Melissa McCormick, por sua vez, analisa uma série de reproduções de cenas realizadas a partir de O romance de Genji -- escrito no século XI por uma mulher --, vinculando-as a artistas mulheres. Por último, o artigo de Juliana Maués trata da longa relação entre tatuagem e gravura no contexto da arte japonesa ligada ao mundo do teatro kabuki.

Por fim, o Capítulo 3 é dedicado à história da arte africana e afro-brasileira. O primeiro texto, de autoria de Cécile Fromont, retoma a questão do contato entre África e América, analisando os festivais do Rei do Congo, praticados no período colonial no Brasil; na sequência Zoë Strothe usa o exemplo significativo dos pende, habitantes da República Democrática do Congo, que deixam suas estátuas nkishikishi caírem ao chão e apodrecerem; Roberto Conduru discute as mudanças nas estratégias de significação do elemento afro nas artes do Brasil entre os anos 1960 e 1970; Juliana R. da Silva Bevilacqua analisa a história e o perfil das coleções brasileiras; já Sandra Salles problematiza o conceito de "modernidade" para o campo da história da arte africana e Sabrina Moura oferece uma reflexão sobre a emergência do conceito de diáspora africana na cena da arte contemporânea.

A partir da publicação da obra que traz excelentes contribuições de diversos historiadores da arte e ensaístas, Arte não europeia: conexões historiográficas a partir do Brasil -- organizada por Claudia Mattos Avolese e Patricia D. Meneses --, abrem-se importantes vias para novas pesquisas sobre tradições artísticas não europeias, contribuindo ainda para que possamos pensar o contexto brasileiro em suas interfaces com a cultura global.
 
Claudia Mattos Avolese é professora de História da Arte no Instituto de Artes e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e pesquisadora do CNPq. Possui doutorado em História da Arte pela Universidade Livre de Berlim e pós-doutorado pelo Courtauld Institute de Londres. Em 2012, foi pesquisadora convidada do Instituto Getty de Los Angeles e, em 2017, professora convidada no Departamento de História da Arte e Arquitetura de Harvard. Atualmente é membro do conselho diretivo do Comitê Internacional de História da Arte (CIHA). Possui vários artigos acadêmicos e os seguintes livros publicados: Goethe e Hackert: sobre a pintura de paisagem (Ateliê Editorial, 2008), Lasar Segall: expressionismo e judaísmo (Perspectiva, 2000), O brado do Ipiranga (Edusp, 1999), Entre quadros e esculturas: Wesley Duke Lee e os fundadores da Escola Brasil (Discurso Editorial, 1997), Lasar Segall (Edusp, 1996).
 
Patricia D. Meneses é doutora em História das Artes Visuais pela Università Degli Studi di Pisa (Itália) e professora do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi professora visitante (Hans Jonas Gastdozentur) na Universität Siegen, na Alemanha. Atualmente é editora da revista Figura. Studies on the Classical Tradition. É autora de diversos artigos e dos livros Baccio Pontelli a Roma (Felici Editore, 2010), e Novela do Grasso Entalhador & Vida de Filippo Brunelleschi (Editora da Unicamp, 2013). Suas pesquisas abrangem vários temas, como a tradição clássica, literatura artística, debates transnacionais e relações entre ciência e arte.
Veja também