A formação de Antonio Candido, de Ana Luisa Escorel

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Em A formação de Antonio Candido, uma biografia ilustrada, embora num primeiro momento estivesse prevista apenas a edição de fotos com legendas, no correr do processo acabou se introduzindo um texto longo – que atravessa o livro do começo ao fim – na intenção de conferir mais detalhe aos dados biográficos. Nesse sentido, as anotações deixadas pelo próprio Antonio Candido, referentes à fase da infância, foram de inestimável utilidade para a montagem do primeiro capítulo. O resto do texto contou menos com esse recurso, embora tenha se buscado um tom que pudesse reforçar a impressão da presença de Antonio Candido entre nós, a partir de pequeno trechos desses registros, deixados nos inúmeros cadernos nos quais anotou, ano atrás de ano, as impressões da vida toda. Como em 1929, no adeus melancólico à Santa Rita de Cássia, a cidadezinha da primeira infância: "E assim acabou o período da Casa de Cima que lá ficou com seu pé de laranja toranja no quintal pequeno. Então viraram passado os empregados – Anésia, Ana, Zé Grosso. Os rachadores de lenha seu Carioca e Cipriano. O José Gabriel que matava os porcos lancinantes. Os mendigos repulsivos ou amenos, os tipos populares – João Bonito e sua boca torta, Chico Fumo, dândi patético escrevendo nas carteiras de cigarro, Ilídio passando soturno pelo meio da rua, calado, impenetrável. E o cavalo Presente, que morava no pasto de meu padrinho e vinha para ser lavado e escovado debaixo da laranjeira. E os motoristas que levantavam nuvens de poeira fina, ou derrapavam na grossa lama; motoristas que nos levavam para passear nas fazendas: seu Osório, calado, bem composto; Vicente Silveira, de gravata de borboleta, parente de meu pai; Benedito, pobre como Jó, casado com a alemã Frida, com uma quantidade de filhos. E ainda havia os carreiros, enquanto o prefeito Luciano de Mello Batista não proibisse a entrada dos carros de boi na cidade, anos depois: o imenso Custódio com bigodes compridos e pés de um tamanho inverossímil; e o Paulo, com sua risada alegre. E o violeiro Eugênio Ferrador, com o bengalão em saca-rolha; e seu Chico Heliodoro, de olhos doces e barba grisalha, sempre descalço, que achava [meu irmão] Roberto parecido com nosso bisavô João Candido; e seu Carrinho Salgado, que gostava tanto de mim; e o padeiro Antonio Leão, inventor do “pão da noite”, macio e adocicado, que ele ia vendendo de porta em porta depois do jantar." Ainda na etapa preliminar da edição de A formação de Antonio Candido, o teor do impresso – uma fotobiografia – foi sugerido por Laura Escorel, principal responsável pelo processo de transferência para o IEB – Instituto de Estudos Brasileiros da USP – dos acervos documentais e iconográficos de Gilda e Antonio Candido de Mello e Souza doados à instituição por Laura de Mello e Souza, Marina de Mello e Souza e por mim. Esse processo, cujo início data de 2017 e, à frente do qual além de Laura Escorel esteve também Elisabete Marin Ribas – na ocasião Supervisora do Arquivo do IEB –, foi financiado pelo Itaú Cultural a partir de um planejamento que tornou possível o registro, a descrição e a higienização, os reparos e a catalogação em brevíssimo tempo, de 50 mil itens do acervo documental e 5 mil itens do acervo fotográfico que, dessa forma, deverão estar accessíveis ao público e à pesquisa ainda no correr de 2020.
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