7 em 1, de Jorge Salomão

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Jorge Salomão é múltiplo, não cabe em uma só definição. Melhor assim para esse artista de 73 anos, nascido em Jequié, no interior da Bahia, que em toda a sua carreira burlou as classificações imediatas. 7 em 1 – título de seu mais novo lançamento pela Editora Gryphus, compilando os sete livros do poeta, compositor, agitador cultural, performer e personagem emblemático do desbunde carioca – permite um olhar apurado sobre sua obra literária, que, assim como o autor, não carece de regras fixas.

Com texto de contracapa assinado por Nélida Piñon e orelha de Cristovam De Chevalier, a edição reúne os volumes Mosaical, O olho do tempo, Campo da Amérika, Sonoro, A estrada do pensamento, Conversa de mosquito, Alguns poemas e + alguns, lançados originalmente entre 1994 e 2016, e oferece uma visão sobre a evolução temática e na forma de sua poesia. Há na obra de tudo um pouco; poemas sintéticos, com versos de apenas uma palavra, prosa poética e até uma ficção cinematográfica de efeitos expressionistas. Há também um flerte contínuo com a composição musical, que, assim como na obra de seu irmão mais velho, o também poeta Waly Salomão, é uma das características mais marcantes de sua criação artística.

Foi, aliás, ao lado de Waly que Jorge Salomão saiu da Bahia para se estabelecer no Rio de Janeiro em 1968. Juntos, foram personagens fundamentais da contracultura no Brasil, sempre assíduos nas Dunas de Gal das areias de Ipanema. Também com Waly e Torquato Neto idealizou a revista experimental Navilouca, em que refletiam a produção cultural de vanguarda da época. Extremamente versátil, dirigiu peças de teatro, produziu capas de disco e serviu até mesmo de inspiração para a canção “Jeca Total”, de Gilberto Gil. Mas foram nos anos 1980 que faria grande sucesso comercial como letrista, gravado por Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Frejat, Marina Lima, Zé Ricardo e Zizi Possi, e alcançando as paradas de sucesso. Na década de 1990, estreou oficialmente na literatura e desde então publicou sete livros e um CD em que recita sua obra poética. Mosaical, seu livro de estreia, reúne reflexões, letras e poemas escritos a partir do fim dos anos 80, cujo título resulta da contração das palavras "mosaico" e "musical", formando uma verdadeira "colcha de retalhos" de referências artísticas. É ainda a definição usada por Salomão no “Manifesto Supernovas", parceria com Antonio Cicero, na defesa de uma sociedade aberta às diferenças, contra a "ditadura do passado e a estabilidade do bom gosto”. Nele, estão alguns textos de grande sucesso popular ao ganharem versões musicadas por artistas como Frejat e Nico Rezende. Na sequência, veio O olho do tempo, definido, nas palavras do próprio autor, como uma "ficção cinematográfica".

Nas cem páginas do livro, cuja capa original é ilustrada por Lygia Pape, Salomão narra uma história não linear. Dois personagens nunca nomeados vagueiam por várias cidades, vivendo situações-limites de amor, sexo e violência. Campo da Amérika, por sua vez, seu terceiro livro de 1996, é uma seleção de textos poéticos, filosóficos e fragmentados. “Um livro para mexer com a sensibilidade contemporânea", define Salomão, uma sensibilidade que anda dilacerada nos dias de hoje, num cenário onde nenhuma utopia funciona mais. Depois viriam outras três obras – Sonoro, A estrada do pensamento, Conversa de mosquito –, todas publicadas durante a década de 1990. Em 2016, na ocasião de seus 70 anos, publicou Alguns poemas e + alguns, edição que contou com prefácio de Italo Moriconi e texto de orelha de Antonio Cícero. Para o livro, o escritor selecionou alguns de seus poemas já conhecidos e incluiu outros inéditos.

Com a nova antologia, reunindo sua obra completa, o leitor encontrará, nas palavras da imortal Nélida Piñon, a arte de um “espírito poético”. “Ele capta o sentido da poesia no seu texto, na sua própria arte. É um homem luminoso que ama os seres, que ama as palavras, e que vai ao holocausto por elas.”, define a imortal em seu texto de contracapa.
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