Mãe Meninazinha de Oxum - O Legado Ancestral

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Tia Lulú, de Oxum, filha de santo de Pai Procópio, escreveu várias cartas dizendo que Omolu queria vir embora para o seu povo, e foi com muito sacrifício que nós – eu e minha irmã Dininha – fomos a Salvador para buscar o santo. Nós contamos com a ajuda de algumas pessoas amigas para isso, como a ajuda de Ninô de Ogum. As cartas começaram a chegar em 1966 e em 67 nós fomos a Salvador, finalzinho de agosto. Voltamos para o Rio no dia 7 de setembro e chegamos no dia 8. Em Salvador, nós ficamos na casa da Tia Lulú. Ela morava ao lado da Igreja de São Francisco, em frente ao Terreiro de Jesus; da casa dela era possível ver o movimento das missas. Uma vez lá, nós fomos até o Baixão, na casa de Pai Procópio, pegar nosso Pai Omolu. No Baixão, encontramos a Tia Iatú, irmã de santo de minha avó Davina. Ela é quem estava na casa, tomando conta da casa e dos orixás. E lá nós tivemos certa resistência por parte dela, algo que nós entendemos. Ela ficou anos tomando conta daquele orixá, muitos anos, e agora chega uma pessoa que ela não conhecia dizendo que ia levar o santo. Ela sentiu, sentiu muito. “É minhas filhas, vocês vieram buscar Obaluaê, vieram buscar meu pai?” Ela também era de Omolu. Tia Lulú, intercedeu: - “Minha mãe, a senhora sabe que ele quer ir. A senhora mesmo pediu que eu procurasse as meninas.” E ela, “É, mas elas chegaram agora e eu não sei se ele vai querer ir. Vocês trouxeram orobô?”. Nós havíamos levado orobô e ela, então, perguntou se Omolu queria vir e ele respondeu aláfia, ele queria vir. “Não, mas tem que perguntar a Ogum.” Ela se referia ao Ogum de meu Pai Procópio. “Ele quer ir, e se Ogum disser que ele não vai? Se Ogum disser que não vai, minhas filhas, ele não vai sair daqui!”. Quando ela partiu obí nos pés de Ogum, Ogum deu aláfia. “É, o que eu posso fazer? O senhor quer me deixar, né? O senhor quer me deixar, eu nunca lhe maltratei! Eu sempre lhe tratei bem meu pai, por que o senhor quer me deixar?” A tia Lulú mais uma vez intercedeu e não, teve jeito não porque nós tínhamos que trazê-lo. Saímos de lá, passamos no Alaketu, que é lá perto; ele ficou lá um pouquinho. Tia Olga nos recebeu muito bem, recebeu Omolu. De lá, levamos Omolu para casa de Tia Lulú, às vésperas de nosso retorno. No ônibus, os passageiros estavam muito admirados, mas nós chamamos atenção, especialmente, de uma senhora e ela perguntou: – “Vocês estão com tanto cuidado com esse balaio, é ouro? É ouro o que vocês trazem nesse balaio?” Eu respondi: – “Não minha senhora, nesse balaio tem muito mais que ouro. O que eu trago nesse balaio vale muito mais que todo o ouro do mundo.”. E ela respondeu: – “Ah, entendi.”. Extraído do livro “História de uma Meninazinha – O Legado Ancestral”. Meninazinha de Oxum. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2015. 116p. ISBN 978-85- 919382-0- 9.
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