Os fantasmas, de Cesar Aira

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Tempo e espaço são restritos: no último dia do ano, um novo prédio de luxo em Buenos Aires deve ser entregue aos proprietários; a construção, no entanto, segue inconclusa. Os habitantes desse pequeno universo, por outro lado, são abundantes e diversos. Pela manhã passam por lá os futuros moradores, acompanhados de arquitetos e decoradores, subindo e descendo, tirando medidas e tomando notas, enquanto, paralelamente, o trabalho dos pedreiros não cessa e o porteiro segue precária e provisoriamente ocupando um dos pisos. Mais tarde, entra em cena mais um grupo de personagens: são Os fantasmas, que dão nome ao romance do argentino César Aira. Mais inconvenientes que assustadores, os fantasmas surgem como uma verdadeira legião, saindo daqui e dali, com rostos inverossímeis e sempre propensos a, sem razão aparente, gargalhar e gritar como balões estourando – ainda que, em certo ponto da trama, o leitor acabe descobrindo que eles também podem conhecer a seriedade. Flutuam estupidamente como fantoches, porém são opacos, bem opacos, por mais que seus corpos branqueados até o último centímetro de pele por uma camada espessa de pó branco possam se confundir com a luz. Não se trata, todavia, de uma história de terror. A presença dos fantasmas, mesmo que repleta de estranheza, parece natural, enquanto a trama tem em seu núcleo a populosa família do porteiro, imigrante chileno, e os preparativos para a ceia de ano-novo. Abordando sonhos, diferenças, relacionamentos, sobremesas e supermercados, Aira se apropria de um elemento fantástico para elaborar um texto delirante e fascinante que rompe convenções e, página após página, renova expectativas – em suas próprias palavras, “sem ensinamento, informação ou posturas filosóficas e políticas”. Escrita em 1987 e publicado pela primeira vez na Argentina em 1990, tendo permanecido inédita no Brasil por quase três décadas, a obra, que integra a fase inicial da prolífera carreira do autor, é até hoje vista pela crítica como uma das melhores de Aira – cujo currículo já soma mais de 60 romances e quase 30 volumes de contos e ensaios. Conciso e poético, capaz de combinar de maneira única o social ao surreal, construindo uma atmosfera que a revista New Yorker comparou a uma pintura de Chirico, Os fantasmas é uma narrativa sobre inocência, desejo e morte que um dos grandes nomes da literatura em língua espanhola saborosamente conduz por trilhas incertas a significados ilimitados.
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