Espinosa sem saída, de Luiz Alfredo Garcia-Roza

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Mais uma aventura do detetive Espinosa:

"Era um início de tarde, quando o calor atinge seu ponto máximo, a água da bica é quente, o asfalto das ruas é grudento e não se percebe a mais leve brisa no céu sem nuvens. O menino estava sentado no degrau do portão da casa com os pés na calçada, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos em vê segurando o queixo. Vestia short e camiseta e calçava sandálias. Devia ter sete ou oito anos de idade e olhava para as coisas com lentidão, os olhos castanhos parecendo derreter sob o sol. Não olhava a rua como se estivesse à espera de alguém, olhava a calçada fronteira pelo simples fato de que era para aquela direção que estava voltada a cabeça apoiada entre as mãos. Parecia estar aguardando alguma coisa que sabia demorar muito a chegar. Conhecia todas as casas da rua. Não por dentro, mas por fora, embora já tivesse entrado em algumas delas; eram todas parecidas com a sua: dois pavimentos, jardim na frente e quintal na parte dos fundos. Mas naquele momento não parecia interessado no interior das residências, era para a rua que olhava. Conhecia cada árvore, cada buraco na calçada, cada reentrância secreta nos muros das casas, cada automóvel estacionado ao longo do meio-fio; conhecia o sorveteiro, o carteiro, os entregadores; conhecia os cachorros que vadiavam pelas calçadas e que àquela hora estavam desaparecidos. Do seu pequeno mirante ao rés-do-chão, o menino observava aquele mundo particular que, apesar de limitado em espaço, era infinito em detalhes, segredos, esconderijos, pequenos e grandes habitantes, mistérios."
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