Ceiuci, A Velha Gulosa, de Maria Inez do Espirito Santo

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Quem não gosta de ouvir história? Invariavelmente, somos todos encantados por tramas milenares que se embrenham em nossos ouvidos — seja numa roda, em torno da fogueira; ou sentado, atento à vovó bordadeira; deitados, quando mamãe ou papai nos põem pra dormir. Rapunzel, Chapeuzinho vermelho, João e Maria... Quem não conhece esses contos, compilados e consolidados em definitivo pelos irmãos Grimm? E a rica mitologia grega, de narrativas como os Doze Trabalhos de Hércules e a Caixa de Pandora? Contudo, quem conhece as lendas indígenas, os mais diversos contos orais daqueles que habitavam esta imensa terra antes de ela ser chamada de Brasil? Como as origens do uirapuru e da irupé (vitória-régia); o surgimento da noite, então adormecida nas águas de Boiúna, a Cobra Grande, senhora dos rios; ou “Ceiuci, a velha gulosa” — mito quase esquecido e que, resgatado pela educadora e terapeuta cultural Maria Inez do Espírito Santo, acaba de virar livro. Recolhida junto a um tuxaua (chefe de tribo) dos Anambés no norte paraense, em 1865, pelo folclorista Couto Magalhães, e publicada em 1876 n’O selvagem, a lenda de Ceiuci traz um belo ensinamento sobre como levar a vida: fugindo ou enfrentando os problemas que cruzam nosso caminho? O que, aliás, remete, segundo o próprio Magalhães, às narrativas mitológicas de Hércules e Ulisses, marcadas por obstáculos e peregrinações. Recontada aqui com o olhar e a sensibilidade de Maria Inez do Espírito Santo, esta fábula tribal conta a história de um indiozinho que saiu para pescar e acabou virando alvo da Velha Gulosa, que come tudo que vê pela frente: bicho, gente e até — muito cuidado para não perder os dedos, leitor! — livro com lenda indígena. Pego pela Ceiuci, o índio é salvo pela infreável força do amor, dando início a uma fuga interminável da gula fatal da Velha faminta. E, se não fossem por eventuais mãos amigas — ou melhor, patas e asas amigas —, o curumim certamente seria devorado. Tanta corrida, preocupação e medo não deixaram que ele percebesse a passagem do tempo. Quando, enfim, se dá conta, encarando seu reflexo nas águas do rio, ele já não é indiozinho, mas um velho índio. Que muito viveu e nada viveu correndo do iminente perigo. Uma fuga da vida e das eventuais dificuldades e empecilhos. Fugiu tanto da Velha e esqueceu não poder escapar da velhice. Cansado e sozinho, onde encontrará segurança, repouso, abrigo, e, finalmente, colo, se o amor ficou para trás, os amigos foram passageiros e não existe mais um lugar para chamar de ninho? Ilustrado por Taisa Borges com riqueza de cores que espelha a riqueza das florestas, “Ceiuci, a velha gulosa” é mais que uma lenda, fábula ou mito. É uma lição sobre a importância tanto de enfrentar nossos medos e dificuldades quanto de valorizar o lar, o amor e os amigos verdadeiros feitos ao longo do percurso da vida.
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