Os Dias dos Turbin, Mikhail Bulgákov

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Os dias dos Turbin se baseia no primeiro romance de Bulgákov, A Guarda Branca, que havia sido publicado parcialmente numa revista e só viria a sair na íntegra após a morte do escritor. Depois de sucessivas interferências de agentes do regime soviético no texto da peça, além de uma “batida” durante a qual foram confiscados originais de seu apartamento e um interrogatório em que Bulgákov foi franco quanto à sua condição de simpatizante das forças contrarrevolucionárias, a peça – que teve ensaios supervisionados pelo lendário encenador Konstantin Stanislávski – estreou em outubro de 1926 no Teatro de Arte de Moscou, com grande sucesso.

Até 1941, o espetáculo foi apresentado 987 vezes. Stálin, entusiasmado, teria estado presente a dezesseis récitas, algumas vezes incógnito. Tentativas de banir a montagem de Os dias dos Turbin sob o argumento de ser antissoviética foram rejeitadas pelo próprio ditador, que defendia a ideia de que a peça provava que o bolchevismo era “invencível”, embora os bolcheviques sequer sejam referidos no texto e seu aparecimento ao som da Internacional tenha sido imposto ao autor. Mais tarde, em 1930, cansado de ser repetidamente impedido de publicar, Bulgákov pediu para emigrar, e de novo Stálin interferiu em seu favor – conta-se que o ditador telefonou para o escritor pessoalmente – e lhe ofereceu um emprego no Teatro de Arte de Moscou.

Nascido em Kíev, Mikhail Afanassievich Bulgákov se formou médico e foi voluntário da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial. Depois da vitória bolchevique em 1917, quis emigrar, mas não obteve permissão. Aos 30 anos, abandonou a medicina para se dedicar à literatura e mudou-se para Moscou, onde ainda se respirava, nos meios artísticos, a atmosfera fervilhante de diversas correntes de vanguarda. O escritor era amigo e companheiro de bilhar do poeta revolucionário Vladimir Maiakóvski, embora não comungasse de suas crenças políticas. Casou-se três vezes e, durante praticamente toda a sua vida de literato, em que se recusou a participar do sindicato oficial dos escritores criado por Stalin, foi monitorado e perseguido.
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