Escute

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Escute é a mais nova obra da poetisa Monica M. G. Mello. Quem enuncia um “Escute” inscreve-se no tempo entre o apelo à intersubjetividade e uma palavra de ordem. Primeiro, esse “escute” não é mais que um indício, que torna o ouvido sensível ao apelo do verbo. Depois, a revelação de um segredo, a necessidade de uma decodificação em busca de um sentido. Nesse dublo deslocamento, entre a palavra do poeta e o silêncio do espectador, o que se pode escutar?

Escute: duração, ciclo e corte por Érico Braga Barbosa Lima

O Tempo é a única riqueza do homem.

Repete-se, por (in)diferenciação; acumula-se, por estafa; aprisiona-se, por estagnação. Assim é que, nas fábulas e fábricas da existência humana, quem por força pode nunca repete o mesmo prazer; quem por árduo labor conquista seu tempo, já é tarde; e, já, quem só aperfeiçoa incessantemente seu engenho e registro consegue apenas isso: arte. Qualquer que seja o artifício, sutileza ou força de que se disponha em poder, fazer ou poesia, o próprio artifício acaba por revelar-se o ouróboros de seu arrogante, hercúleo ou sofístico prestidigitador.

Uma ampulheta só tem valor quando escorre – e o lado que esvai e o que se ocupa, ambos se regozijam somente enquanto o movimento, que, a eles alheio, não se esgota.

A poesia doce-ambígua deste Escute é, entre muitas coisas, principalmente, uma insidiosa apologia ao tempo, e um encômio de tal forma capcioso que parece que, às vezes, o ilude (ou a nós mesmos), fazendo-o deixar cair o inexorabilíssimo relógio do seu bico de corvo obtuso. Volume salutarmente ardiloso, a começar pelo título, que, a princípio, insinua uma demanda, aponta uma sugestão ou afirma-se imperativo e que é – a ‘final’ de contas e em princípio – simplesmente intransitivo. É com este nível de ironia e verdade que (de)sobe-e-descem em maré não predestinada os humores do eu-lírico, untando páginas com doses alternadas de nirvana darvínico e assimétrica melancolia.

Mônica M. G. Mello tem o controle inconsciente ou natural de três modos dificílimos de se brincar com e de se pintar o tempo, como que em desvão de soslaio surrupiado de crônico e agudo despercebimento mítico: a duração, o ciclo e o corte.
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