Do corpo ao pó

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Do corpo ao pó é o primeiro livro de um antropólogo e advogado cujo trabalho alia inteligência, talento e generosidade. Bruno Martins Morais está na trincheira, no pronto-socorro, como advogado atuante na defesa dos Guarani. Mas também faz mais: tenta desvendar como eles constroem sentido em uma história de extrema violência. Contra os que acham que é luxo procurar entender o mundo de quem é trucidado, Bruno mostra a importância de fazê-lo. Este é um grande e magnífico livro.

— Manuela Carneiro da Cunha

Este livro foi escrito em linguagem clara, direta e com tons poéticos, o que permitiu ao autor discorrer sobre o complexo e pesado tema da morte kaiowá e guarani de modo sensível e profundo, sem o apelo fácil à trágica situação de violência e abandono vivenciada pelas comunidades onde desenvolveu a pesquisa. O tratamento dispensado aos dados faz emergir os modos kaiowá de transformação dos sentidos da morte e do morto, a partir do acionamento de elementos de sua própria cosmologia. Tal transformação é realizada em estreito diálogo com a experiência histórica atual, na compreensão e enfrentamento de situações de vulnerabilidade e conflitos fundiários. Nesse movimento, as comunidades se empenham em assegurar direitos fundamentais cotidianamente negados, em especial o acesso à terra. Os mortos passam a ser mais um ingrediente nessa luta.

— Levi Marques Pereira

Aos leitores aconselho que preparem corações e mentes para o que Bruno Martins Morais vai contar. Já se sabe há muito que populações indígenas têm sido alvo da brutalidade genocida daqueles que não toleram sua existência insubmissa e fazem derramar seu sangue pela terra que dizemos nossa. Entre os mais atentos, tampouco é novidade que os Kaiowá e Guarani encabeçam as estatísticas de violência contra indígenas, lista tragicamente longa, e que inclui vários outros povos que insistem em obstar com sua presença e seu modo de vida os avanços do desenvolvimento econômico.

As páginas do noticiário e as redes sociais nos acostumaram ao estarrecimento, pelos massacres planejados, executados, incentivados, por vezes festejados e sistematicamente impunes, e nos habituaram à revolta com as artimanhas políticas, jurídicas e administrativas que deixam insolucionados os inúmeros crimes e disputas, e que adiam indefinidamente o enfrentamento da questão indígena no país. Mas creio que o acúmulo de dissabores não livrará ninguém do mal-estar, da perturbação e da angústia que certas passagens deste texto provocam.

O que lemos nas páginas deste livro vai muito além da denúncia, da retificação ou da elucidação dos números da violência contra os Kaiowá e Guarani, ainda que a partir daí se deflagre o longo e profundo movimento analítico do trabalho, que tem na articulação entre as estatísticas apenas um de seus corolários.

— Ana Claudia Duarte Rocha Marques, na orelha
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