23 de agosto de 2009

Foucault, 25 anos depois

Pouco depois de completar 25 anos da morte de Michel Foucault, chega ao Brasil um dos livros mais esperados sobre o filósofo francês: o Vocabulário de Foucault, do argentino Edgardo Castro. Com tradução de Ingrid Müller Xavier, reúne cerca de 300 verbetes sobre os principais temas foucaultianos - tais como experiência, loucura, história, linguagem, poder e crítica. Para o professor Sílvio Gallo, a obra possui grande abrangência e será fundamental para todos que estudam o filósofo: "Como é uma obra muito bem trabalhada, ela tem muito potencial para quem pesquisa Foucault no Brasil".

A tradução teve a revisão técnica dos professores Alfredo Veiga-Neto e Walter Omar Kohan, que o consideram um precioso instrumento de busca pelos pensamentos do filósofo: "Poucos escritos sobre Foucault merecem tanto o nome de 'caixa de ferramentas' como o livro que estamos apresentando em versão em língua portuguesa. Produto de um rigoroso e exaustivo estudo, não hesitamos em afirmar que se trata de um instrumento de trabalho precioso, fundamental, utilíssimo para os interessados em pensar com e a partir do filósofo. Com efeito, o leitor tem em mãos um sofisticado mapa de suas principais temáticas e questões. Cada verbete não apenas 'faz referência a onde, nos escritos de Foucault, aparece cada termo, mas quer, ademais, oferecer uma indicação (às vezes sucinta, às vezes extensa) de seus usos e contextos'. Algo assim como o mais completo 'motor de busca' para visitar os caminhos de seu pensamento".

Lançado pela editora Autêntica, Vocabulário de Foucault tem 480 páginas e custa R$ 79,00.

Michel Foucault nasceu em Poitiers, em 15 de outubro de 1926 e morreu em Paris, em 25 de junho de 1984. Foi um importante filósofo e professor de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Suas idéias notáveis envolvem o biopoder e a sociedade disciplinar, sendo seu pensamento influenciado por Nietzsche, Heidegger, Althusser e Canguilhem.

Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas deste termo. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que tornaria impossível a "tomada de poder" proposta pelos marxistas. O poder não é considerado como algo que o indivíduo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-política), mas sim como uma relação de forças. Ao ser relação, o poder está em todas as partes, uma pessoa está atravessada por relações de poder, não pode ser considerada independente delas. Para Foucault, o poder não somente reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades.

Foucault em ação

Alain Badiou entrevista Michel Foucault:

Chomsky e Foucault discutem 'a natureza do poder':

Chomsky e Foucault discutem 'a natureza do poder' - parte 2:

PROMOÇÃO: garanta seu exemplar autografado de 'Cine Filô'

Os cinco primeiros leitores que mandarem email para blooks@blooks.com.br, fazendo reserva, compram exemplar autografado do livro Cinefilô: As Mais Belas Questões Da Filosofia No Cinema, de Olivier Pourriol, traduzido por André Telles. Acreditando piamente que a sala escura do cinema permite a rara fusão entre imaginação e racionalidade, o francês Ollivier Pourriol teve uma ideia inusitada: ensinar filosofia através de enredos de filmes cultuados no mundo inteiro. Que tal aprender com Brad Pitt, Tom Cruise, Bruce Willis e Christopher Lambert? 'O Clube da Luta', por exemplo, leva a um debate sobre a liberdade; 'Colateral' é pretexto para salientar noções de método; 'O sexto sentido' remete às fronteiras entre consciência e percepção. Assim, por meio de personagens da cultura pop, com seus dilemas contemporâneos, questões tradicionalmente consideradas difíceis chegam até o leitor leigo de forma compreensível, envolvente e sem banalizações.

Cinefilô: As Mais Belas Questões Da Filosofia No Cinema. Editora Jorge Zahar. R$ 39,90

DICA BLOOKS: A filosofia de André Comte-Sponville

Existem imbecis felizes e gênios infelizes, segundo André Comte-Sponville, um dos mais respeitados filósofos e ensaístas da atualidade. Ideal seria escolher uma terceira via: a dos sábios, que não se apóiam na esperança como muleta. Esperar não é saber, diz o pensador. Ele vive em Paris e tem livros traduzidos para mais de 20 idiomas. Sponville recorre a Epicuro, Montaigne e Buda para nos incitar a agir. Em sua opinião, Woody Allen resume, com genialidade, nossa aptidão para a tristeza: "Como eu seria feliz se eu fosse feliz!". Em seu pequeno livro Felicidade, Desesperadamente, o filósofo condena as utopias. Sugere viver na lucidez, na desesperança e no momento presente: "Quando você faz amor, o que mais deseja? O orgasmo ou o ato em si?", pergunta Sponville. "Se for o orgasmo, a masturbação é o meio mais rápido." Conheça três livros do autor:

O Amor A Solidão, faz parte da coleção Mesmo que o céu não exista (Editora WMF Martins Fontes). R$ 34,50.

Escrito em forma de entrevista, a partir de perguntas enviadas pelo correio por três leitores, 'O amor a solidão', mais do que um livro de filosofia, é o livro de um filósofo, sobre o que a filosofia, a vida e seus ensinamentos. Nele, Comte-Sponville dirige-se ao leitor como a um amigo, sem elaboração secundária, sem erudição, sem máscara.
A Vida Humana (Editora WMF Martins Fontes). R$ 21,90,

O que buscamos tanto na arte como no pensamento, dizia Hegel, é a verdade. É o que justifica o encontro de um filósofo e de uma artista em torno de um mesmo tema. Para que verdade? Não aquela, objetiva e impessoal, das ciências, mas aquela, irredutivelmente múltipla e subjetiva, da humanidade, quando ela se dá a ver ou a compreender de dentro.' O texto de André Comte-Sponville retraça doze etapas da vida humana, ilustradas com força e sensibilidade pelos desenhos de Sylvie Thybert. Este livro estabelece um diálogo entre a expressão plástica e a linguagem filosófica.

Pequeno Tratado Das Grandes Virtudes também faz parte da coleção Mesmo que o céu não exista (Editora WMF Martins Fontes). R$ 49,40

Das virtudes quase não se fala mais. Isso não significa que não precisemos mais delas, nem nos autoriza a renunciar a elas. É melhor ensinar as virtudes, dizia Spinoza, do que condenar os vícios. O objeto deste livro são as virtudes. Sem a pretensão de evocar todas elas, tampouco de esgotar uma em particular, o autor indica neste pequeno tratado - dirigido mais ao grande público que aos filósofos profissionais - as que julga mais importantes, o que são, ou o que deveriam ser, e o que as torna sempre necessárias e sempre difíceis.
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